ME JULGUES... MAS NÃO NEGOCIO AS MINHAS VONTADES!


Quando eu era pequena minha mãe dizia para eu fechar os olhos e conversar com deus. Então eu fazia isso e notava que uma voz sempre falava comigo. Logo entendi que essa voz era deus. Então eu fui crescendo e essa voz foi me guiando em direção a vontades que muitas vezes me diziam não serem as mesmas vontades de deus. Logo percebi que essa voz que eu ouvia na verdade era a minha e que isso significava uma coisa. "Eu era o meu próprio deus".
Não há como entender que ainda acreditamos saber o que esta certo e o que está errado para o outro. Experimentamos um narcisismo tão concentrado que nos ocupamos de vigiar nossos vizinhos para reafirmar nossas ideias. A presente solidão que sentimos hoje e que nos faz tantas vezes crer que precisamos de um outro alguém para nos tornamos felizes é na verdade a constante falta que sentimos de nós mesmos.
Uma nostalgia da infância onde nossas vontades eram quase como leis e que para conseguir o que queria se gritava, chorava, esperneava e fazia pirraça. Enquanto hoje, por tão pouco, abrimos mão de instintos e desejos que gritam em nós reclamando atenção. Barganhamos o que somos em troca de coisas que não precisamos. 
Qual foi a última vez que você ouviu seu corpo, o seu desejo? Qual foi a última vez em que gastou com o que queria gastar? Comeu o que queria comer? Qual foi a última vez em que você usou a roupa que queria, a maquiagem que queria usar ou não usou nada e nem sequer se arrumou porque simplesmente não queria se arrumar? Qual a última vez em que você se permitiu ir embora? Quando se permitiu ficar? Qual foi a última vez em que você se deu conta que agrado é cuidado e que você merece fazer isso por você?

Não me coloco à parte do mundo. As relações são fundamentais. Quero dividir o prazer que sinto por estar em movimento. Mas sempre que esperarem que eu ignore o que meu corpo fala em troca de uma “melhor” relação com o mundo lá fora, vão descobrir que eu não negocio as minhas vontades.

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